domingo, 14 de novembro de 2010

Não mude muito...

Querem me convencer de que não há metade da laranja
Que nascemos inteiros
Mas se todos acreditassem
Que nosso mundo já é completo
Não existiria tanto afeto

Não consigo me imaginar
Sem trocas de amor
Com outro ser desse mundo

Mas sem esquecer
Que solidão é fundamental
E necessária a todo ser
Que um dia saberá a viver
Qualquer seja a ocasião

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Original

Depois de uma temporada indo em festas e conhecendo gente nova, resolvi dar um tapinha nas costas de alguns: homem de verdade necessariamente não é aquele que dá presentes caríssimos e só nos leva pra jantar em lugares refinados. É aquele que tem a humildade de valorizar que dar um buquê de flores conta os mesmos pontos que uma jóia nova. Ou que por mais que não sabia cozinhar, arrisque fazer um agradinho pra nos surpreender. Não, não pedimos um banquete só com o que a gente gosta! Só um agradinho já nos faz feliz.
Homem de verdade também é aquele que quando estamos na festa, não nos embrulha pra comer depois. É direto, talvez cachorro, mas direto. Sem tralalás. Não, a última coisa que eu ia querer fazer é te mudar, meu caro amigo. Muito menos te meter pressão. Ninguém precisa seguir um roteiro sobre o que falar, como se vestir e se comportar. O negócio é ser verdadeiro. Sim,de verdade, ser você mesmo por mais que as coisas desandem. Não há coisa pior do que encenar. Medo? Ah, Ele só cura com ações. E se você se acha o Don Juan, tá, que bom pra você, mas o mundo não precisa ouvir. Aprenda a ser humilde, a diferenciar a hora de escutar e de falar. Isso deve levar tempo, mas nada como a força de vontade.
Insegurança a gente trabalha todos os dias, vendo no que podemos melhorar para sentirmos melhores pra NÓS, e se aquele amigo deu alguma dica, quem sabe,talvez não a seguimos...
E ah, claro. Quer umas dicas,né? Mulher ainda gosta de flores e chocolate e apesar de lutar pela igualdade entre os sexos mulher gosta de um cavalherismo de vez em quando. Gentileza gera gentileza,né? Agora lembre-se: existe muita gente legal querendo te conhecer. Não fique procurando a bonita, divertida, engraçada, inteligente e rica. Procure pessoas que te façam e te queiram bem. Atração, apego e/ou amor naturalmente podem vir com o tempo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

E agora, José?

Na vida inteira nunca haverá amor maior no coração. O amor adolescente. E não existe desculpa de falar que homem ou mulher é tudo igual. Homens e mulheres SÃO iguais!E somos mesmo! Os guris por mais cagões q sejam têm um medo irritante de mulher e as gurias com uma insegurança chata. Todos ficam atrapalhados, sem jeito, bobinhos, risonhos e um monte de coisa que quando passa a gente pensa: como foi bom.
Ah, bom foi aquele amor em que a gente tatuaria o nome da pessoa amada, que dávamos presentes em todas as datas especiais e algumas coisitas mais. A nossa vida era satisfazer outra. Medo? Isso não consta no nosso vocabulário, sobre ser traído, ignorado ou qualquer mal desse mundo.
A gente sempre pensa que tudo vai durar pra sempre, que se a gente conseguisse morar num apê com a amada e pudesse só amar, tudo estaria perfeito. Ah, e COMO era bom. Podia estar uma merda,mas estava bom. A gente nunca sorri tanto pra alguém com olhos tão brlhantes. A magia existe sim.
Depois de cultivar tanto nossa plantação aparece uma vaca e acaba com tudo. Ou chifres começam a nascer ,etc. Não quero entrar nesse quesito. Acabou. O pozinho mágico já não faz mais efeito, o sorriso fica amarelo, os olhos se reviraram. A vida em parte acaba, por mais que a gente agora vá crescer, que coisas novas virão. Nada mais importa. Tá, dizem que passa, outros já falam que existe só um amor na nossa vida inteira. Tenho medo de crescer e descobrir.
Mas e agora sem o falecido? Quem vai ser a pessoa que vai te ligar pra saber como foi seu dia? Quem vai te esquentar os pés e o resto naqueles domingos frios com chuva? Certo, vamos “aproveitar” a solteirice e sair por aí bebendo e beijando gente estranha. Virando a noite fazendo sei lá o que, dormir bastante, escutar música o dia todo. Ai, maldita música bonita do rádio, maldita ressaca, noite chata que o sono não aparece. E quando a gente sonha não quer acordar. E aquela pessoa com quem eu quero ter nada? Essa liga.
E agora o que sobra no nosso coração é só dor. Aí sim a insegurança toma conta. Será que vai ser igual? Vai servir? Vai ser calmo como o outro? Vou me divertir igual?
Vou parar por aqui...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Véu

Muitos chapéus, poucas cabeças
Muitos sapatos, poucos passos
Muitas pulseiras, pouco pulso

Vários brincos, pouco brilho
Várias bolsas, muitas costas
Vários batons, poucas palavras

Muitas fotos, poucas lembranças
Muitos contatos, poucos tatos
Muitas danças, pouca esperança...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

louco

O código do ser,
sei qual é.
Uma pedra me contou,
o universo afirmou.
Tu sabis?
Queres saber?
Não.
Não vou ti diser.
Descubra sozinho!

Louco eu?
Não.
Si ti conheceres,
si ti saberes,
si ti veres,
louco eu seria,
louco eu viveria.

louco eu?
Talvez.
Se teu olhar
penetrar até
minha alma
e desifra-la
talvez serei louco,
mas tu também seras.

Louco eu?
Sim,
eu sou louco

poema de bebado

Na lama e na noite triste
Aquele bêbado ri!
Tu’alma velha onde existe?
Quem se recorda de ti?

Por onde andam teus gemidos,
Os teus noctâmbulos ais?
Entre os bêbados perdidos
Quem sabe do teu -- jamais?

Por que é que ficas à lua
Contemplativo, a vagar?
Onde a tua noiva nua
Foi tão depressa a enterrar?

Que flores de graça doente
Tua fronte vem florir
Que ficas amargamente
Bêbado, bêbado a rir?

Que vês tu nessas jornadas?
Onde está o teu jardim
E o teu palácio de fadas,
Meu sonâmbulo arlequim?

De onde trazes essa bruma,
Toda essa névoa glacial
De flor de lânguida espuma,
Regada de óleo mortal?

Que soluço extravagante,
Que negro, soturno fel
Põe no teu ser doudejante
A confusão da Babel?

Ah! das lágrimas insanas
Que ao vinho misturas bem,
Que de visões sobre-humanas
Tu'alma e teus olhos tem!

Boca abismada de vinho,
Olhos de pranto a correr,
Bendito seja o carinho
Que já te faça morrer!

Sim! Bendita a cova estreita
Mais larga que o mundo vão,
Que possa conter direita
A noite do teu caixão!

sábado, 8 de maio de 2010

Spieluhr

Uma pequena pessoa morreu apenas de fingimento
Desejava ficar completamente só
O pequeno coração permaneceu quieto por horas
Então o tomaram por morto
Deixaram-no que a areia molhada o enterrasse
Com uma caixa de música na mão

A primeira neve a cobrir o túmulo
Acordou a criança de modo bem suave
Numa noite fria de inverno
Seu pequeno coração despertou

Na medida que o gelo voava na criança
A caixa de música foi aberta
Uma melodia no vento
E para fora da terra canta a criança

Upa upa cavalinho
E anjo algum desce à terra
Meu coração não bate mais
Apenas a chuva chora sobre o túmulo
Upa upa cavalinho
Uma melodia no vento
Meu coração não bate mais
E para fora da terra canta a criança

A gélida lua, cheia em seu explendor
Ouve o pranto na noite
E anjo algum desce à terra
Apenas a chuva chora sobre o túmulo

Entre duras tábuas de carvalho
Ele irá tocar com a caixinha de música
Uma melodia no vento
E para fora da terra canta a criança

sexta-feira, 26 de março de 2010

O meu reflexo é o seu

se você adorou tirar a aliança
não te fará mal
uma nova dança
Sei que vai querer mais

De imediato
no momento que eu sair
iremos fazer um trato
E de paixão você irá cair

Já estou imaginando
Quando lhe ver denovo
Ter seus olhos brilhando
E no fim... me comovo
E viro um espelho

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Teus olhos

Teus olhos castanhos
São meus buracos negros
Que me levam a outra galáxia
E a outra...
E a outra...

Ainda bem que eles não são azuis
Senão eu me afogava
Nessa água enjoada

Gosto deles assim,escuros
Parece que criaram muros
Que me pedem pra pular

Mas parece que eu nunca alcanço
Será que é pra continuar?

sábado, 23 de janeiro de 2010

Odeio o sol

Resolvi abrir a janela do meu quarto
Pra ventilar esse ar viciado
Dei de cara com a vizinha
E que face histérica ela tinha...
Ao gritar com o marido
Perguntando o que havia fazido
Para chegar a tal situação
E ele só respondia:
- Nada, nada...

Mas a moça continuava a questioná-lo
Ao mesmo tempo insultá-lo:
-Me diga! O que te fiz, covarde? O que te leva a deixar nossa casa?
Respondendo...
-O que fez?Nada! O que me leva? Esse nada...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

MAPA

I

O poeta
observa
as suas
ilhas caligráficas
cercadas
por um mar
sem marés,
arquipélago
a que falta
vento,
fauna, flora,
e o hálito húmido
da espuma,

II

pensando
que
talvez alguma
ave errante
traga
à solidão
do mapa,
aos recifes desertos,
um frémito,
um voo,
se for possível
voar
sobre tanta
aridez.
Às vezes te quero pele
Às vezes, na sombra
Às vezes te quero em vento
Às vezes te quero mesmo só na fumaça

Não sei se no frio ou no inverno
Não sei se no escuro ou na noite,

Não sei se te vejo mais
Mas por que só te vejo assim?Tão longe...
Mas será...
Que só não te quero em mim?