sábado, 23 de janeiro de 2010

Odeio o sol

Resolvi abrir a janela do meu quarto
Pra ventilar esse ar viciado
Dei de cara com a vizinha
E que face histérica ela tinha...
Ao gritar com o marido
Perguntando o que havia fazido
Para chegar a tal situação
E ele só respondia:
- Nada, nada...

Mas a moça continuava a questioná-lo
Ao mesmo tempo insultá-lo:
-Me diga! O que te fiz, covarde? O que te leva a deixar nossa casa?
Respondendo...
-O que fez?Nada! O que me leva? Esse nada...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

MAPA

I

O poeta
observa
as suas
ilhas caligráficas
cercadas
por um mar
sem marés,
arquipélago
a que falta
vento,
fauna, flora,
e o hálito húmido
da espuma,

II

pensando
que
talvez alguma
ave errante
traga
à solidão
do mapa,
aos recifes desertos,
um frémito,
um voo,
se for possível
voar
sobre tanta
aridez.
Às vezes te quero pele
Às vezes, na sombra
Às vezes te quero em vento
Às vezes te quero mesmo só na fumaça

Não sei se no frio ou no inverno
Não sei se no escuro ou na noite,

Não sei se te vejo mais
Mas por que só te vejo assim?Tão longe...
Mas será...
Que só não te quero em mim?