segunda-feira, 10 de maio de 2010

louco

O código do ser,
sei qual é.
Uma pedra me contou,
o universo afirmou.
Tu sabis?
Queres saber?
Não.
Não vou ti diser.
Descubra sozinho!

Louco eu?
Não.
Si ti conheceres,
si ti saberes,
si ti veres,
louco eu seria,
louco eu viveria.

louco eu?
Talvez.
Se teu olhar
penetrar até
minha alma
e desifra-la
talvez serei louco,
mas tu também seras.

Louco eu?
Sim,
eu sou louco

poema de bebado

Na lama e na noite triste
Aquele bêbado ri!
Tu’alma velha onde existe?
Quem se recorda de ti?

Por onde andam teus gemidos,
Os teus noctâmbulos ais?
Entre os bêbados perdidos
Quem sabe do teu -- jamais?

Por que é que ficas à lua
Contemplativo, a vagar?
Onde a tua noiva nua
Foi tão depressa a enterrar?

Que flores de graça doente
Tua fronte vem florir
Que ficas amargamente
Bêbado, bêbado a rir?

Que vês tu nessas jornadas?
Onde está o teu jardim
E o teu palácio de fadas,
Meu sonâmbulo arlequim?

De onde trazes essa bruma,
Toda essa névoa glacial
De flor de lânguida espuma,
Regada de óleo mortal?

Que soluço extravagante,
Que negro, soturno fel
Põe no teu ser doudejante
A confusão da Babel?

Ah! das lágrimas insanas
Que ao vinho misturas bem,
Que de visões sobre-humanas
Tu'alma e teus olhos tem!

Boca abismada de vinho,
Olhos de pranto a correr,
Bendito seja o carinho
Que já te faça morrer!

Sim! Bendita a cova estreita
Mais larga que o mundo vão,
Que possa conter direita
A noite do teu caixão!

sábado, 8 de maio de 2010

Spieluhr

Uma pequena pessoa morreu apenas de fingimento
Desejava ficar completamente só
O pequeno coração permaneceu quieto por horas
Então o tomaram por morto
Deixaram-no que a areia molhada o enterrasse
Com uma caixa de música na mão

A primeira neve a cobrir o túmulo
Acordou a criança de modo bem suave
Numa noite fria de inverno
Seu pequeno coração despertou

Na medida que o gelo voava na criança
A caixa de música foi aberta
Uma melodia no vento
E para fora da terra canta a criança

Upa upa cavalinho
E anjo algum desce à terra
Meu coração não bate mais
Apenas a chuva chora sobre o túmulo
Upa upa cavalinho
Uma melodia no vento
Meu coração não bate mais
E para fora da terra canta a criança

A gélida lua, cheia em seu explendor
Ouve o pranto na noite
E anjo algum desce à terra
Apenas a chuva chora sobre o túmulo

Entre duras tábuas de carvalho
Ele irá tocar com a caixinha de música
Uma melodia no vento
E para fora da terra canta a criança